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Uma Engenheira Clínica Brasileira em Angola



Angola, oficialmente República de Angola, é um país da costa ocidental da África, cujo território principal é limitado a norte e a nordeste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico. A capital é Luanda, com uma população de 21,47 milhões (2013) e que tem a Língua portuguesa como língua oficial. São sete horas de viagem de avião.

Em Luanda fui visitar a Clínica Girassol (http://www.clinicagirassol.co.ao/). Para minha surpresa a clínica era um hospital de grande porte com equipamentos de última geração e com um setor de engenharia muito bem regido. O responsável coordenava Engenharia Clínica e predial. Mas a minha surpresa não estava por terminar, o responsável, ou melhor a responsável é a Sra. Marta Massao (https://www.linkedin.com/in/marta-massao-a0974533) que se especializou em Engenharia Clínica na Unicamp e está trabalhando há oito anos na clínica. Fiquei surpreso com seu espírito de liderança e a forma de lidar com a equipe, e o respeito dos mesmos e das chefias médicas para com ela. É recompensador ver nossos especialistas em Engenharia Clínica sendo reconhecidos e fazendo sucesso no resto do mundo. Qualquer um pode ser contratado, mas se manter durante oito anos em um país estrangeiro com um trabalho de referência, somente os melhores. Desta forma, convidei a Sra. Marta a falar um pouco sobre esta experiência de viver em um outro país, com uma cultura muito diferente e tendo de gerenciar as restrições para manter a clínica funcionando.

Alexandre Ferreli Souza - Vice Presidente Executivo


Uma Engenheira Clínica Brasileira em Angola 
                                                                               por Marta Massao

O local de trabalho

A Clínica Girassol está localizada na cidade de Luanda, capital da República Angola, insere um conjunto de serviços inerente a qualquer unidade hospitalar de alta complexidade. Este complexo sistema de serviços abriga pessoas em confronto com emoções e incertezas nos momentos mais críticos da existência humana: nascimento, sofrimento, risco de vida, dor, doença, cura, qualidade de vida e a inexorável morte. Como estrutura de negócio é uma massa física que exige grandes investimentos para a aquisição de benefícios para infraestrutura e tecnologia médicas, bem como investimentos proporcionalmente ainda maiores, durante a sua vida útil, para o custeio operacional. 


  
Entrada da Clínica Girassol

A atividade médico-hospitalar da Clínica Girassol tem como principal objetivo alcançar o máximo de qualidade percebida pelo cliente sempre no mais estrito respeito aos mais elevados preceitos técnicos, éticos e deontológicos.

A Clínica Girassol está instalada num terreno de 19.500 m², com uma construção de quatro (4) pisos: cave (subsolo) 13.230 m², rés-do-chão (térreo) com 11.850 m², 1º andar com 11,650 m² e 2º andar com 4.710 m². Com uma capacidade instalada de 247 leitos, dos quais 39 (16%) são de leitos de Cuidados Intensivos, incluindo 10 de pediatria e 16 de neonatologia. Existem ainda 72 leitos de observação distribuídos pelos diferentes serviços. Possui três áreas cirúrgicas com um total de 13 salas operatórias, sendo o Centro Cirúrgico com 6 salas, Centro Cirúrgico Ambulatorial com 4 salas e Centro Obstétrico com 3 salas. Para a realização das suas atividades a unidade conta com aproximadamente 1.600 (um mil e seiscentos) colaboradores próprios e terceirizados.



Membros da Comissão Executiva: Exmo. Sr. Dr Vasco Silva e Exma. Sra. Dra Luisa Palma com a Sra. Marta Massao e o Vice Presidente Executivo da ABEClin Alexandre Ferreli.

O Exmo. Sr Vogal é médico com especialidade em Imagiologia e Brigadeiro das Forças Armadas. A Exma. Sra. Vogal, é uma profissional da área financeira que faz parte do quadro laboral do Sonangol há muitos anos.  

Ambos juntamente com o Exmo. Sr. PCE, Sr. Dr. Antonio Pedro Fellipe Junior, estão a liderar a Girassol desde do início de 2010, com dedicação e empenho, para que possamos atingir as metas traçadas no Planeamento Estratégico do grupo Sonangol EP.

Formação Acadêmica

Desde da minha graduação em 2002, seguida pela especialização em Engenharia Clínica em 2004 na Unicamp (Campinas –SP), também busquei manter-me ativa na área acadêmica. Em 2007 finalizei a especialização em Qualidade de Produtividade pela Poli – Universidade de São Paulo. Já em Angola, tive a necessidade de adquirir mais conhecimento para manter os bons resultados alcançados. Em 2011 concluí a pós-graduação em Acreditação para os Serviço em Saúde – Feluma/Faculdade de Ciências Médicas - Minas Gerais. Como o bom profissional sempre precisa estar se atualizando, estou caminhando para finalizar o mestrado em Gestão em Saúde – Universidade Udima – Espanha.

 O início do trabalho

Minha relação profissional com esta renomada Instituição, teve início antes da disponibilização de seus serviços à comunidade. Sua abertura oficial foi em 04/09/2008 e consistiu-se em um grande passo para a saúde do País. Em maio desde mesmo ano, eu chegava a Luanda vinda de uma capital, São Paulo – Br, onde já trabalhava na área de Engenharia Clínica há aproximadamente seis anos. Ao mesmo tempo que estava entusiasmada com a mudança de País, estava com receio em relação ao novo trabalho, bem como as expectativas que estavam depositadas no novo profissional a chegar (o Engenheiro Clínico) que tinha como finalidade   instalar, testar e formar as equipas multidisciplinares em relação as tecnologias médicas, infraestrutura e demais sistemas integrantes do edifício. Essas atividades foram desenvolvidas em parceria com os empreiteiros e fornecedores diversos, ou seja, ainda tinha que finalizar algumas infra, tais como instalação de gases medicinais, tratamento de água, etc.. Em relação aos equipamentos médicos, fazia-se necessário a montagem total, desde os e equipamentos denominados fixos (raio-x, focos cirúrgicos, tomografias, autoclaves e outros) até a distribuição dos suportes de soro para as unidades de internamentos. Portanto foram cinco meses de trabalho árduo, sem pausas para finais de semanas e feriados, mas com o empenho de todos os envolvidos, na data   agendada a Girassol abriu as portas ao público, e hoje com menos de oito anos de atividade, com o total apoio e empenho da alta Direção e seus colaboradores, tornou-se um Hospital de referência na África.



Sra. Marta Massao em sua sala na Clínica Girassol.

Infraestrutura do Departamento de Engenharia

Ao se projetar um edificio, seja ele administrativo e/ou assistencial, são raros os projetos que os arquitetos e engenheiros preocupam-se em reservar um espaço fisico para a equipe que irá manter o edificio operacional quando em utilização, no caso do edificio Girassol não foi diferente.

Assim, com o início das atividades e o aumento gradativo de necessidade de interveção técnica em todos os seguimentos, infraestrutura, equipamentos e sistemas, o passo seguinte seria estruturar o Departamento de Engenharia.

Após verificação geral nos espaços livres ainda existentes no edifício, o local adequado para o efeito e com área fisica compatível para a alocar a o Departamento, foi localziado na cave (piso -1).  Este local escolhido tem um pé direito de seis metros, com uma área aproximada de 300m2. Com essas condições foi possível construir um mezanino conforme o layout abaixo onde pode-se evidenciar as seguintes áreas distintas:

IBS – Intelligent Building System
: centro de controle dos diversos sistemas instalados, tais como fire alarm, abastecimento de água, gás/óleo, gases medicinais, energia, elevadores, sistema de ar condicionado, iluminação, sistema de transporte pneumático de amostras, entre outros;

Engenharia Clínica:
  esta área tem um sistema de controle ambiental em separado dos demais e com autonomia, há controle de temperatura e humidade. È subdividade em 03 áreas distintas: parte de recebimento de equipamentos, calibração e assistência técnica (preventivas e corretivas);

Area Administrativa:
  no open space, estão alocados os supervisores dos serviços de Engenharia Clínica e Predial e também há gabinetes para os coordenadores dos serviços, copa e uma sala de reuniões;

Oficinas:
 esta zona concentra os equipamentos das diversas especialidades, mecânica, elétrica, hidráulicas (no edifício há diversas áreas técnicas de especialidades). Este local é utilizado para intervenções especializadas quando os equipamentos necessitam ser removidos dos seus locais de instalação;

Arquivo  e Armazens
: na parte superior  estão dispostos os armazéns, um para cada serviço, e a sala de arquivos. Neste local está disposto todos os arquivos do edifício (as Built’s), equipamentos e sistemas em meio físico, vistos que os mesmos em meio digital estão no servidor do data center central.


Layout – Departamento Engenharia Clinica


Viver em Angola 

Como é viver e trabalhar em Angola? Resposta a essa pergunta eu tenho, mas é muito pessoal, pois cada indivíduo que se desloca para este País tem uma experiência, e em muitos casos não são positivas.  Em relação a minha pessoa posso dizer que foi a experiência mais completa que tive oportunidade de vivenciar, em relação ao crescimento profissional e como ser humano. Profissionalmente, tive oportunidade de trabalhar com profissionais de diversas nacionalidades, bem como conhecer países de culturas diferentes. Posso dizer sem demagogia, que vim com o objetivo de ensinar, entretanto foi onde mais aprendi e continuo a apreder diariamente.



Mapa de Angola com destaque para a capital Luanda.


Em 2008, Luanda tinha muitas dificuldades de abastecimento de todos os gêneros, deste o sector alimentício ao de construção. Estas limitações foram ultrapassadas com políticas econômicas voltadas ao desenvolvimento de um País, pós-guerra civil.  Angola tem somente 40 anos de independência e aproximadamente 14 anos de paz. Como diariamente temos situações a serem contornadas, como a falta distribuição de água potável e energia elétrica de qualidade por parte dos órgãos públicos, entre outras limitações como a mão-de-obra qualificada, dificuldade de abastecimento de suprimentos médico-hospitalares e de estrutura (facilmente disponíveis no Brasil e tantos outros países). Aqui temos que encontrar alternativas viáveis e economicamente adequadas que atenda a demanda do edifício, para que as equipas multidisciplinares possam desenvolver suas atividades 24/7 sem restrições.

Ainda continuamos com alguns déficits em relação a morosidade nas importações, tais como peças de reposição e outros bens, face a atual situação econômica que se está a atravessar, com o baixo valor da venda do barril de petróleo. Diversos estudos estatísticos, apontam para a melhora desse cenário dentro de aproximadamente cinco anos, não antes.  Temos observado o empenho do governo em mudar este cenário, com aplicação de políticas de diversidade da economia, tais como o desenvolvimento da agricultura e aumento do parque de indústrias instaladas. Assim cremos que em breve se evidenciará um crescimento semelhante ao dos anos anteriores.

Para entrar em contato com a Sra. Marta, podem enviar e-mail para: secretaria@abeclin.org.br ou marta.massao@hotmail.com (lembrando que em Luanda são três horas a mais em relação ao Brasil).


Feira Hospitalar: Nosso associado Arkmeds




Reservem a Agenda: “I Fórum de Gestão de Infraestrutura Hospitalar”




Congresso Brasileiro de Manutenção




Sorteio de vaga para Curso de Segurança Elétrica Aplicada aos Equipamentos Eletromédicos




Omni Experience - Sucesso!




Metrosaúde 2018




APRESENTAÇÃO ELUXEO - FUJIFILm Para Engenheiros Clínicos




Omni Experience




Primeiro Simpósio de Eletrocirurgia para Engenharia Clínica




Ranking dos melhores hospitais da América Latina




Associação Brasileira de Engenharia Clínica – ABEClin

A ABEClin, é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos e de duração ilimitada. Foi estabelecida com o objetivo de incentivar, consolidar, integrar e qualificar os profissionais que atuam na área de Engenharia Clínica definindo-os da seguinte forma:

“O Engenheiro Clínico é o profissional que aplica as técnicas da engenharia no gerenciamento dos equipamentos de saúde com o objetivo de garantir a rastreabilidade, usabilidade, qualidade, eficácia, efetividade, segurança e desempenho destes equipamentos, no intuito de promover a segurança dos pacientes.”